quinta-feira, 24 de julho de 2014

QUEM FOI TEMPERAR O CHORO E ACABOU SALGANDO O PRANTO?

RASCUNHO ONLINE

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              Semana passada, na morte de Rubem Alves, coloquei o retrato de uma amiga com o educador para ilustrar um comentário no Facebook, e agora, com a morte de Ariano Suassuna, quis fazer a mesma coisa com a foto de outro amigo, mas como Ariano disse que “é coisa de direita afirmar que não
existe mais direita ou esquerda”, para sintonizar minha coerência com a admiração pelo escritor, já que eu tinha afirmado exatamente o contrário, e também por não me considerar de direita., precisei fazer essa introdução.
          Tudo que escrevo é fruto do meu idealismo pragmático , "do meu coração sempre dividido entre o sonho e a razão" (coloquei em vermelho), e se não fosse por isso acreditaria no “Fim da História" de Fukuyama, mas apesar de não ser economista, sei que o capitalismo é o mais eficiente sistema na produção de riquezas, em contrapartida sei também que sua essência é baseada na ausência de regulamentação, que é exatamente a gênese de todas grandes crises sociais e econômicas que volta e meia abalam o mundo... O simples fato de já haver um consenso sobre a necessidade de se regulamentar os mercados para conter esse liberalismo desenfreado e especulativo, já é um indício de que esse suposto "fim da história" nunca acontecerá, ao contrário, Adam Smith deve estar se revirando no túmulo, se já não estiver de ponta cabeça, depois que os EUA, o maior país capitalista liberal do planeta, ter injetado trilhões de dólares para salvar as maiores companhias americanas na crise de 2008uma interferência do Estado " muito mais radical, à esquerda, do que as medidas praticadas por Lord Keynes para debelar a “Crise de 1929".
               Minhas dúvidas são comuns a todos que tem sinceras preocupações sociais com os menos afortunados, mas só o capitalismo pode fazer frente às demandas de recursos para financiar benefícios sociais em um país tão carente como o nosso, mas essa dicotomia entre a eficiência na produção de riquezas e gastos estratosféricos, não tem sustentação alguma, quer seja no socialismo científico de Karl Marx ou no capitalismo liberal de Adam Smith, meu medo é que, aqui no Brasil, matem a "galinha dos ovos de ouro" e confirmem o prognóstico da ultradireitista Margaret thatcher: "O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros".
                Esse meu entendimento leigo de economia (conjunctio oppositorum?) não está nos planos nem da esquerda, tampouco da direita, nos dois predomina "a fome com a vontade comer"... um lado quer acabar com a fonte e o outro não quer que ninguém beba água... A hegemonia de qualquer um dos lados seria o mais completo caos. 
            Pode até parecer ofensivo uma pessoa limitada como eu discordar e confrontar idéias com o poeta, e tenho opinião parecida a respeito de outras personalidades que admiro como Leonardo Boff 
(letra vermelha, primeira do parágrafo ), Chico Buarque, (aqui também) ou o saudoso Taiguara, mas parto do princípio que não devemos aceitar coisa alguma incondicionalmente, ainda que venha de livros sagrados como O Capital (santificado para muitos), o Alcorão, Bhagavad Gita ou até mesmo da Bíblia (clique no link para ver), "não acreditar em nada que não tenhamos experimentado e reconhecido como verdadeiro, aquilo que corresponda ao nosso bem e ao bem dos outros” (Siddhartha Gautama, o Buda), também não devemos confiar em tudo sem nenhum filtro ou critica, ainda que venha de um gênio como o próprio Ariano Suassuna ou qualquer outra celebridade que esteja exercendo seu sagrado direito de opinião, mas não tenho que concordar só porque admiro, afinal, "nascemos do mesmo jeito e vivemos no mesmo canto        


  
             Agora já me sinto à vontade para colocar o retrato do amigo Franz na publicação que ia fazer no Facebook, mas com tanta explicação o texto ficou muito grande e tive que trazê-lo para cá:

              ERA SÓ ESSA PUBLICAÇÃO QUE QUERIA FAZER NO FACEBOOK...
 SIMPLES ASSIM: 

                              
       
 Acabei de rever agora na Globo News a entrevista de Ariano Suassuna a Geneton Moraes Neto, e, no finalzinho do programa ele declama o poema do cordelista paraibano Leandro Gomes de Barros, uma preciosidade:  
"POR QUE EXISTEM O MAL E O SOFRIMENTO HUMANO?"

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando se chega pra cá?


Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que é que ele não fez
A gente do mesmo jeito?


Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Vivemos no mesmo canto.

Quem foi temperar o choro 

E acabou salgando o pranto?

      Em vez de colocar um texto de Suassuna, prefiro repetir a história que ele gostava de contar em relação ao seu pavor em viajar de avião:
“Estava encolhido, morrendo de medo durante a viagem, e a aeromoça se aproximou perguntando se eu estava com falta de ar. 
- Falta de ar? Estou é com falta de terra".

E mais uma bem-humorada tirada do poeta:


Só mais essa:

2 comentários:

Jenny Horta disse...

O tempo corrido da vida anda me impedindo de poder curtir as leituras nos blogs, mas resolvi passar por aqui e como sempre, não foi tempo perdido!

Sinto-me como você: nem esquerda, muito menos direita, nem no centro... penso que é porque não acreditamos que tais rótulos consigam designar o que é uma sociedade, em toda sua complexidade!

Jenny Horta disse...

O tempo corrido da vida anda me impedindo de poder curtir as leituras nos blogs, mas resolvi passar por aqui e como sempre, não foi tempo perdido!

Sinto-me como você: nem esquerda, muito menos direita, nem no centro... penso que é porque não acreditamos que tais rótulos consigam designar o que é uma sociedade, em toda sua complexidade!