sábado, 21 de abril de 2012

O SENADOR DEMÓSTENES TORRES E UMA REFLEXÃO PELO AVESSO


NO PENÚLTIMO PARÁGRAFO FALEI DO SIGNIFICADO DE UM EX-ALUNO TER ROUBADO UM TÊNIS... SÓ LEGENDEI NO VÍDEO QUE ESTÁ RELACIONADO: "O "Pai", felizmente, tem me poupado desse "cálice", mas tenho muito medo de surgir uma oportunidade e eu acabar tomando um "porre homérico" dessa "bebida amarga"... e gostar, perder o meu juízo ("Teu juízo"), "inventar meu próprio pecado", onde o dinheiro fácil crie um paraíso particular, sem que eu tenha mais que "engolir a labuta" ou me esforçar para construir alguma coisa útil para o meu país
   
"TENHO MEDO É DA DESONRA" ... FRASE DO FILÓSOFO SÓCRATES QUE MEU CONTERRÂNEO, O VICE-PRESIDENTE JOSÉ ALENCAR, GOSTAVA DE REPETIR


            Recentemente exibi, orgulhosamente, aqui no blog um e-mail que recebi do Senador Demóstenes Torres em que se manifestava sobre voto distrital, porém, nunca poderia imaginar que ele pudesse estar envolvido em conversas comprometedoras, gravadas em grampos telefônicos pela Polícia Federal, acusado de fazer exatamente aquilo que sempre combateu em sua carreira política, por isto mesmo, eu o admirava tanto.
             A decepção desta vez superou todas as outras, o Senador é concursado no Ministério Público de Goiás, foi Procurador-Geral deste órgão antes de ocupar o cargo de Secretário de Segurança Pública do Governo daquele Estado, mais tarde considerado um dos políticos mais íntegros e combativos da República,  tornou-se presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
               De "saco cheio" com a frequência com que estas notícias acontecem, resolvi buscar em mim, bem no fundo da minha alma, uma explicação que ultrapassasse o senso comum em que os julgamentos e condenações exemplares são as únicas soluções para desvio de caráter (verbas) no Congresso Nacional.
            A cruz é a consequência dos nossos erros e uma necessidade para a redenção humana, e não é difícil imaginar a via crúcis de dor e vergonha que este Senador vai (pelo menos deveria) carregar daqui para frente, purgatório que será agravado pela vingança de seus ex-perseguidos. 
            É muito fácil ser virtuoso e íntegro enquanto professor, afinal, um golpe rentável na escola seria o quê? Desviar merenda escolar? Vender livro da biblioteca? São poucas as possibilidades materiais de embolsar alguma coisa usando a palavra ou o cargo público nesta área, aqui não existem "cachoeiras", e as únicas fontes poluidoras são aqueles pares que não tem consciência da importância e a grandeza do magistério, propagam, em sala de aula, "suas" verdades como se elas fossem mais importantes que o objetivo da função que exercem.
            Por esta perspectiva resolvi ir pelo avesso em minhas reflexões...Será que minha honestidade seria a mesma se as oportunidades fossem iguais?... "A ocasião faz mesmo o ladrão"? Com meu salário e esta  minha jornada de trabalho, será que resistiria todas as tentações que os políticos, em geral, são submetidos? Só esta possibilidade fictícia já atormenta meu coração e, mesmo a consciência de que todo erro deva ser expiado, não me atrevo jogar uma pedra sequer contra quem quer que seja.
            Jesus, introjetando toda a fraqueza humana necessária à sua missão, pediu que o Pai o deixasse longe das dores que estavam por vir... que o afastasse da tentação daquele cálice (Marcos 14:36).
               A lógica da impunidade desses políticos embusteiros também está relacionada com a crucificação, depois que são flagrados e "o leite já está derramado", como um dos dois ladrões que morreram ao lado de Jesus, almejando ganhar, na última hora, depois de uma vida inteira de erros, o perdão e o paraíso (Diante das circunstâncias eu, sinceramente e honestamente, faria a mesma coisa), e inventam as mais criativas maneiras para redimirem-se diante da opinião pública, como fez um ex-deputado denunciando seus pares e dando início ao escândalo do mensalão. Já outros (os mais comuns), negam peremptoriamente sua culpa na certeza de que passarão, como ratos, pelas "brechas" que encontram em nossas leis... buscam uma impunidade descarada, semelhante a de Barrabás, cujo nome, curiosamente, significa "Bar Abbas", "Filho do Pai", logo, um irmão... semelhante?
            Sempre fujo das dores que a cruz representa em relação à culpabilidade dos meus atos, e há uma fileira destas cruzes que estão sempre me atormentado, dentre elas, destaco minhas imperiosas necessidades do ego (egoísmo), orgulho, preconceito, hipocrisia, e todas as minhas pré-disposições e tendências ao mal.
           O "Pai", felizmente, tem me poupado desse "cálice", mas tenho muito medo tomar um de "porre homérico" dessa "bebida amarga"... gostar e perder "Teu juízo", "inventar meu próprio pecado", onde o dinheiro fácil crie um paraíso particular, sem ter mais que "engolir a labuta" ou me esforçar para construir alguma coisa, na mesma ilusão de um ex-aluno que, em sua infantilidade diante da vida, roubou um tênis imaginando que este "objeto" poderia fazê-lo feliz. (Não deixem de clicar no link... quarto parágrafo, coloquei em vermelho).
               Todos precisamos de perdão e proteção, por isso (ou por causa disso), para evitar os desvios e as tentações que todos estamos expostos, nada melhor do que ter prestar contas a alguém (fiscalização), quer seja na escola, na política, ou em qualquer outro lugar que envolva os interesses de outras pessoas.

Um comentário:

Chikita Bakana disse...

Acho que todos os poetas e pessoas sensíveis, somos um pouco fingidores, como bem disse seu xará Fernando Pessoa, mas não todas as vezes com consciência disso.
Não podemos e nem temos o direito de julgar as pessoas e principalmente a nós mesmos tão acirradamente.
Então não nos torturemos tanto. Não se torture tanto. O próprio ato do pedido de perdão já te revela como um homem sujeito sim às paixões da carne, como todos nós, mas um homem valoroso e digno.
Abraços meu querido filósofo!!!

Rita Barroso