domingo, 12 de junho de 2011

SÓ UM HOMEM CASADO PENETROU VERDADEIRAMENTE NA EXISTÊNCIA




"(...) o casamento é e continuará a ser a viagem da descoberta mais importante que o homem pode empreender; qualquer outro conhecimento da vida, comparado ao de um homem casado, é superficial, pois ele e só ele penetrou verdadeiramente na existência”. Immanuel Kant

          Esta opinião vinda de quem viveu há mais de 200 anos e que nunca se casou, aparentemente não tem conexão alguma com a realidade de hoje, mas tratando-se do pensador que revolucionou a filosofia moderna faz-se necessário refletir de onde ele tirou tantos valores para o casamento, que nós, pobres mortais, não conseguimos perceber, pelo menos em toda essa extensão.
          Talvez este "conhecimento a priori", que o próprio Kant definiu como fruto apenas do raciocínio, independente da experiência, tenha se originado a partir da mesma perspectiva como a que Fernando Pessoa enxergou sua terra natal: "Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no universo, porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura” (link do meu grupo de amigos no Facebook). Deve ter sido esta visão que o fez creditar tantos valores ao casamento.
          Só sei do mundo pelo que sei de mim mesmo, e o matrimônio transforma a vida a dois num verdadeiro pós doutorado, em que dor e alegria vão se mesclando e dando o tom do relacionamento. Quando dor, o autoconhecimento é compulsório, produzindo no casal um denominador comum, uma espécie de amálgama fundido pelo calor da convivência, em que até o desnudar-se diante do outro, que literalmente dá tanto prazer, pode transformar-se numa dolorosa exposição, derrubando máscaras e expondo fraquezas.
          Por outro lado as alegrias sobrepõem-se, e nada se compara acompanhar a trajetória dos filhos, do berço à vida adulta, encaminhados e felizes, ou namorar apaixonadamente vida à dentro, saber da transcendência do beijo na boca e conhecer o deleite intenso da companhia com quem se compartilha até a alma.
          A proximidade faz com que assimilemos parte da personalidade do outro, eu e a Maria Inês sempre tivemos posturas radicalmente distintas em nossa maneira de pensar, interpretar e entender as coisas, ela, exageradamente realista, eu, desmedidamente sonhador, mas, numa simbiose fantástica, os anos nos ensinaram a trocar de papel... Ela transformou-se numa sonhadora realista, e eu, inacreditavelmente, num idealista prático.
          Este contraditório aprendizado faz com que muitos passem ao largo desta experiência sem se dar conta de uma verdade inquestionável: nada que realmente valha a pena e tenha valor vêm sem sacrifícios, dor ou algum tipo de privação.
          O casamento é assim, simultaneamente, pequeno e grandioso... do tamanho como o enxergamos.
          Mais duas declarações de amor AQUI e AQUI 

4 comentários:

Syl disse...

Amei seu texto, quanto amor e dedicação à sua esposa e família...isso é maravilhoso. Sinto essa necessidade de família estruturada que nossas crianças precisam,muitas delas estão sem saber o porquê de sua existência, não vieram do amor, não vieram da cumplicidade de duas pessoas que buscam a verdadeira felicidade e para isso lutam juntas!!!

Lucas disse...

Parabéns, Fernandão!
Excelente texto.
É necessário falar do amor, do amor simples, amor abnegado, do amor que "tudo espera e tudo crê", numa época em que o "mau amor", aliás, o amor nunca é "mau", mas ideias errôneas a respeito do amor permeiam as músicas, a dramaturgia, enfim, andam fazem toda sorte de loucuras que juram ser legitimadas pelo amor.Amor tão falado, mas raramente vivido.

Rocio Rodi disse...

Fernando,

O amor - a tolerância - e a temperança são sabedorias universais querido amigo virtuoso.

A diferença entre padre, pastor, ateu ou espírita desaparece quando compreendemos que o fim de todos é o mesmo.

Por aqui nos limitamos às escolhas por que precisamos de uma estrada, entretanto, cercamo-nos e olhamos as possibilidades, a exemplo do ditado indiano que diz: "onde quer que o homem ponha o pé, pisa sempre cem caminhos". Na nossa diferença fazemos a opção. Vem outra sabedoria indiana a nos (des)apontar/inquietar que "os caminhos são vários, mas o fim é um só", e em provérbios encontramos vínculo sobre o "fim" desta etapa: "há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte"...

Rocio Rodi disse...

Fernando,

Agradeço o espaço privilegiado em seu blog!

Abraços Afetuosos!