sexta-feira, 3 de abril de 2009

CRIATIVIDADE SE APRENDE NA ESCOLA

RASCUNHO ONLINE



"Obedeça cegamente ao chefe”, "Discordar é ser antipatriótico", "Não pense, marche", Questionar é traição", “Não pense com autonomia, siga nossa corrente de pensamento”, “não decida, deixe que seus superiores decidam por você”           


           Na faculdade de Filosofia, estudamos “Lógica”, matéria organizada por Aristóteles (século IV a.C), cujo principal objetivo é pensar corretamente, visando, basicamente, detectar verdades ou falsidades, utilizando premissas para se chegar a um juízo.
                      Em 1988, a agencia de propaganda W/Brasil (Washington Olivetto), ganhou vários prêmios internacionais, inclusive o Leão de Ouro no Festival de Cannes, com um filme extremamente criativo, onde aparece alguns pequenos pontos negros e, à medida que a câmera vai se afastando, novos pontos vão surgindo e formando um retrato, enquanto isto, uma voz fala maravilhas da pessoa retratada... um exemplo perfeito de sofisma, cujo raciocínio partiu de premissas verdadeiras, mas induzindo a uma conclusão absolutamente falsa.
           Foi exatamente com este filme que começamos a reflexão sobre o primeiro governo constitucional de Vargas (1934/37), época em que a influência nazifacista de Hitler e Mussolini se traduziu aqui através da AIB (Ação Integralista Brasileira), fonte inspiradora para o início da Ditadura Vargas (1937/45).                
            Liderada por Plínio Salgado, a AIB tinha como lema “Deus, Pátria e Família”, eram antidemocráticos, pregavam um nacionalismo de extrema direita e, fundamentalmente, negavam a pluralidade e a diversidade humana, idealizando uma sociedade homogênea, sem diferenças ou contradições.          
           Mais significativo que o fato histórico em si, foi o batepapo decorrente do assunto, quando abordamos temas que variaram do racismo às mais diversas formas de preconceitos, inclusive sobre sofisma, mas, sobretudo, sobre a necessidade de se valorizar e desenvolver a autonomia e a criatividade, sempre sufocada por aqueles que pretendem uma padronização do ser humano e uniformização da sociedade, moldados por fundamentalismos e moralismos ultrapassados, sem nenhuma sintonia com a realidade ou com a essência humana.
           O mundo atravessa uma profunda crise moral e a principal causa é o medo que as pessoas tem de olhar para dentro de si mesmas, e, exatamente por esta superficialidade, cuja principal característica é a negação em se pensar com autonomia, que as levam a deixar que alguém pense por elas, dispensando toda forma de autenticidade, tornado-se presa fácil para os manipuladores, particularmente aqueles que infestam a política e a religião.    
           A mediocridade faz com que passem o tempo todo citando e repetindo clichês (se você conversa com um, sabe exatamente o que todos pensam), sufocando em si qualquer pensamento ou atitude original e criativa. Por sentir mais orgulho de seus líderes do que de si mesmas, não fazem outra coisa a não ser imitar e repetir.
           A única saída é treinar a criatividade, que é uma habilidade que pode ser totalmente aprendida e estimulada, que todos somos potencialmente criativos, mas por questões educacionais, familiares, sociais ou religiosas, deixamos de exercitá-la.
                   Acredito firmemente nas palavras de Paul Johnson (pg.11), que a “criatividade é a mola do mundo” e as “novas idéias somente emergem onde as pessoas são livres para pensar”, “que todo ato criativo, mesmo quando ele surge de um lampejo, é fruto de muito trabalho, estudo e conhecimento.”          
           É nisso que acredito... todo meu esforço acaba sempre indo em direção à criatividade, na perspectiva de que a inovação sempre atraia e traga prazer, que torne tudo mais significativo... para mim e para meus alunos
"Sou da opinião que a criatividade, hoje, é tão importante quanto a alfabetização, e que deveríamos tratá-la com a mesma importância" Ken Robinson


Albert Einstein - Educação

5 comentários:

Natania Nogueira disse...

Muito bom!

FERNANDÃO disse...

Recebi sua crítica, Geraldo, e agradeço a discrição em mandá-la por e-mail. Também evito polêmicas, tanto que retirei o complemento da frase onde citava “capítulos” e “versículos”. Quis apenas mostrar que também existe falta de criatividade e radicalismos nas religiões

Elis Zampieri disse...

Muito bom Fernando!
O vídeo muito interessante, a reflexão excelente.
Valeu-me muito a visita aqui hoje.
Parabéns amigo.

Syl disse...

Muito bom!

Syl disse...

Você com certeza é um daqueles professores de História que simplesmente nos fazem mergulhar no passado e sentir um desejo de melhorar o presente...