sexta-feira, 14 de novembro de 2008

REFLEXÃO SOBRE A FOFOCA


REFLEXÃO SOCIOLÓGICA SOBRE A FOFOCA

           A baixaria culminou com uma denúncia na Superintendência de Ensino envolvendo uma professora de Matemática e outra de Ciências. A primeira inventou um fato sobre a segunda e, inconsequentemente  como se uma coisa dessas pudesse dar certo, indicou-me como testemunha, afirmando que estava presente quando o suposto episódio havia ocorrido, tendo ficado indignada com minha recusa.
           Acabei participando daquela baixaria, não como normalmente as pessoas participam... fiz pior... num tosco cordel, contei como reagi àquela mentira e insinuei uma suposta causa, ainda na infância, do que teria movido a professora a agir daquela maneira. Fiz uma fofoca sofisticada, porém, tão desprezível quanto a primeira. E o pior, publiquei os versos .
           A não ser a professora que fiz questão de mostrar meus versos, ninguém relacionou aquelas rimas com a briga na escola, mas não consegui parar de pensar em minha mesquinha reação.
           As palavras que usamos em nosso cotidiano são frutos de milhões de anos de evolução, existindo um abismo entre os sons emitidos por nossos primeiros ancestrais e as palavras que usamos hoje, pelas quais expressamos idéias, manifestando técnica e sensibilidade a nossos semelhantes.
           As possibilidades das palavras são ilimitadas, principalmente quando as transformamos em ferramentas de trabalho, como em nosso caso, os professores, cujo objetivo deve ser sempre potencializar as possibilidades na conquista da felicidade.
           Porém, existe um desvio acerca da direção que podemos dar a este poderoso veículo do pensamento e, volta e meia, nos surpreendemos com o seu mau uso, por pessoas que jamais poderíamos imaginar, pudessem dar um destino tão insignificante a este maravilhoso dom divino.
Em vez de servir à transfusão de idéias e sentimentos elevados, algumas vezes as palavras são usadas como se tivessem sofrido um retrocesso e tomam a forma execrável da maledicência, cujas causas esforço-me para entender.
           Nesta tentativa, dividi-a em dois grupos: o primeiro é o dos fofoqueiros banais, carentes de atenção, que necessitam apenas serem ouvidos. Por isso, falam compulsivamente de tudo, sem medirem as conseqüências, e que, em contato com pessoas sem discernimento para filtrar o que dizem, encontram um campo fértil para a multiplicação de intrigas e desentendimentos.
           Já um segundo grupo, mais traiçoeiro, é formado, dentre outros, por mal amados, frustrados, facciosos, hipócritas, preconceituosos, invejosos etc., estes, mais dissimulados, por trás de manifestações fraternas, lançam dúvidas, palavras pejorativas ou caluniosas sobre todos a quem sua fraqueza moral transforma em ameaça.
           Sua principal competência está na destreza em rastejar-se sorrateiramente sob as sombras, sem serem percebidos e picar covardemente à maneira das serpentes. Estas pessoas transformam as palavras num instrumento peçonhento cortante, o qual é mantido sempre limpo após a utilização, para que não seja identificado seu uso.
           As palavras são poderosíssimas, tanto podem construir como destruir. Para construir, é necessário esforço, trabalho e, principalmente, qualificação, por isso, ao alcance de poucos. Já destruir é sempre mais fácil, ao alcance de qualquer um, tarefa para qualquer desqualificado, pois descer é sempre mais fácil que subir e, por força da própria natureza humana, temos uma tendência gravitacional para ir abaixo e, isso nos coloca a todos, indistintamente, no caso das palavras, como potenciais maledicentes.
           Daí a necessidade de se descobrir o pronome certo na hora de direcionar nosso verbo se, comumente, nas terceiras pessoas ou buscando em nós mesmos as causas que nos levam a agir de forma tão “semelhante” ao nosso “próximo”. Por isso a necessidade de se pedir sempre: “Põe guarda, Senhor, à minha boca. Vigiai a porta de meus lábios”. Sl 141 :3
Mostrei estes versos para a professora de Matemática, e ela disse: "Você precisa estudar mais português... não tem ponto nem vírgula"...
aí resolvi colocar este título.

3 comentários:

Fernando Fellipe disse...

Como bom fofoqueiro, cliquei no "publiquei os versos" querendo saber afinal qual era a fofoca da professora malidicente... e eis que descubro mais uma poesia de papai. Ótima, bem escrita... Copiei pra mim.

Beth Vitória disse...

FERNANDO... excelentes textos!
Parabéns!


"Nunca se esqueça do poder da palavra.
Pondera sobre tudo o que dizes...
Analisa o poder de uma frase mal entendida...
Observa o conforto de uma palavra amiga...
É uma escolha sua querer para você a discórdia ou o entendimento..."


Abraços...

Beth

Marcinha Girola disse...

oi migo... demorei, mas tô passando por aqui...
tem até um verso da música Same Mistake - James Blunt, que diz mais ou menos assim: "disse ter visto meu inimigo e q ele era igual a mim."
adorei a reflexão.
bjão